terça-feira, 27 de novembro de 2012

CONSULTA PÚBLICA DO PROJETO UAKTI SOBRE NOMES PARA A PRESIDÊNCIA DA MANAUSCULT



Relatório Final da Consulta do Projeto Cultural Uakti a fim de definir Nomes para executar a política municipal de Cultura via presidência da Manauscult.

A escolha de dirigentes na área da cultura no Brasil se dá – no mais das vezes - através da nomeação de um artista e/ou intelectual (casos de Sérgio Rouanet, Celso Furtado, Gilberto Gil, Cristina Buarque), independente de suas competências técnicas/administrativas. Também ocorre muito na área da cultura a seleção meramente política, para acomodar interesses partidários. Nesse caso trata-se de mera compensação política, um prêmio de consolação (caso Marta Suplicy).
Diante desse quadro e tendo em vista o entusiasmo despertado pela volta do Prefeito Arthur Neto, um político de grande tradição democrática, o Projeto Cultural Uakti buscou na sucessão do Prefeito Amazonino para Arthur Neto, tentar estabelecer novos parâmetros (ou um novo marco regulatório) para seleção de dirigentes na política cultural municipal.
O modelo utilizado por nosso Projeto foi o já estabelecido pelas instituições de pesquisa científicas federais, onde os dirigentes são selecionados por Comissões de Alto Nível nomeadas pelo ministro. Esse método foi utilizado pioneiramente no INPA que até então tinha seus dirigentes nomeados políticamente e não por capacidade técnica e científica.
No caso do Prefeito Arthur Neto, foi publicado na imprensa - logo após a sua eleição - que intelectuais estavam encarregados de estudar a situação da política cultural do município (eram citados o escritor Márcio Souza e o Prof. Renan Freitas Pinto). Pois aí vislumbramos encontrar a nossa Comissão de alto nível, que poderia ser ampliada.
A fim de iniciar o debate, o Projeto Cultural Uakti resolveu estabelecer uma consulta on-line (via e-mail) em dois turnos. (Quem vc confiaria para administrar a Manauscult?). No primeiro, todos os trabalhadores da cultura interessados puderam indicar livremente três nomes de sua preferência, aqueles mais capazes de administrar a Manauscult. Embora tenha tido pouca participação dos interessados, foram citados 32 nomes de excelente nível, todos ligados à cultura ou à produção cultural e acadêmico-cultural. A fim de afunilar ainda mais a seleção, os 10 nomes mais citados nessa primeira etapa foram submetidos a uma segunda consulta. O objetivo era tirar uma lista tríplice onde teóricamente os nomes citados sairiam mais fortalecidos. Essa lista seria submetida à consideração da comissão e/ou do prefeito.
Para nossa surpresa a segunda etapa, em vez de fortalecer os nomes dos 10 mais citados anteriormente, ocorreu o contrário: apenas 4 nomes fora citados e com menos votos que na primeira consulta. Diante da constatação, o Conselho Gestor do Projeto Cultural Uakti, resolveu considerar sem efeito a segunda consulta, tendo em vista que a amostragem não foi significativa da imensa comunidade de trabalhadores da cultura de Manaus.
Resta então que o Prefeito Arthur Neto – que tanto estimulou o envio de currículuns para seu e-mail para selecionar sua equipe - tem agora também à sua disposição os currículuns publicados no Blog do Uakti, inclusive com propostas e planos de trabalho sobre assuntos importantes da produção local (ver temas propostos abaixo). (http://www.blogdouakti.com.br/2012/11/consulta-publica-do-projeto-uakti-sobre.html).
Nossa expectativa é de que possamos aperfeiçoar sistema semelhante, que inclusive possa ser utilizado em nível estadual e federal. Afinal nós entendemos que a  cultura não pode servir de moeda de troca, cala-boca ou prêmio de consolação.

Temas Propostos - (Tema 1 - Considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, incluindo Fundo Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura e; Estrutura jurídica da Manauscult; Tema 2 – Prioridades de uma Política Cultural para a Cidade de Manaus; Tema 3 - Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 [Copa do Mundo], 2015 e 2016?; Tema 4 - Formação de recursos humanos para a cultura através do Município; Tema 5 - Municipalização dos espaços culturais [o Estado detém a grande maioria da infraestrutura]; Tema 6 - Casa de Apoio ao artista; Tema 7 - Editais  e concursos da Manauscult; Tema 8 – Outros Temas que considere relevantes.
Manaus, 13 de dezembro de 2012.




E a consulta à comunidade promovida pelo Projeto Cultural Uakti a fim de determinar quais nomes são apoiados pela comunidade para exercer a direção da Manauscult, entra agora na sua reta final. Numa primeira etapa foram selecionados pela comunidade 10 nomes (ver lista abaixo). O objetivo agora é reduzir este número para apenas 3 (lista tríplice) que será submetida à consideração do futuro prefeito.
O blog do uakti está recebendo e publicando os currículuns e as propostas dos “candidatos” para questões gerais sobre a política cultural da cidade de Manaus (ver abaixo as questões propostas).
Nesse última etapa da consulta à comunidade (artistas, técnicos e produtores culturais de todas as áreas da cultura) é necessário que vc, além de indicar até 3 (três) nomes da lista, identifique em que área da cultura atua, a fim de minimizar eventuais distorções no resultado de pessoas alheias ao labor cultural. O Projeto Cultural Uakti se reserva o direito de checar a exatidão das informações. Lembramos também que os votantes só podem ser pessoas físicas.
Para saber mais sobre o processo acesse http://www.blogdouakti.com.br/2012/11/consulta-publica-do-projeto-uakti-sobre.html e envie sua sugestões de nome(s) para projeto.uakti@gmail.com

Questões Propostas pelo Uakti
Tema 1 - Considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, incluindo Fundo Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura e; Estrutura jurídica da Manauscult.
Tema 2 – Prioridades de uma Política Cultural para a Cidade de Manaus.
Tema 3 - Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 [Copa do Mundo], 2015 e 2016?
Tema 4 - Formação de recursos humanos para a cultura através do Município
Tema 5 - Municipalização dos espaços culturais [o Estado detém a grande maioria da infraestrutura]
Tema 6 - Casa de Apoio ao artista
Tema 7 - Editais  e concursos da Manauscult
Tema 8 - Ou temas que considere relevantes

QUEM É QUEM 
Aqui vc sabe o Currículum Vitae dos Indicados, suas experiências e propostas. Esses dados estão sendo publicados na medida em que estão chegando. E já chegaram alguns. Veja!

1. CÉLIO CRUZ




Primeiro presidente do Conselho Municipal de Política Cultural e do Conselho Gestor do Fundo Municipal de Cultura, eleito pelos pares. Foi Diretor do Departamento de Cultura no início da gestão Serafim, e realizou em Manaus a Conferência Regional de Cultura, envolvendo os Estados da Região Norte, além do MinC, do Sistema S, Câmara dos Deputados; essa Conferência indicou os representantes do Norte para a 1a Conferência Nacional de Cultura, realizada em Brasília em 2005.
Foi a única vez que o Estado do Amazonas participou da formulação de políticas públicas da área de cultura em sua história, e tudo através de dois Conselhos presididos por Célio Cruz e do Departamento de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura, todos sem um centavo de orçamento, somente com articulação política. Depois disso nada mais foi feito.


2. CLÁUDIO ABRANTES



Claudio Abrantes, maestro e flautista amazonense, iniciou seus estudos de música aos 13 anos de idade em Manaus sob a orientação dos maestros Joaquim de Souza e Dirson Costa. Teve como professores de regência os maestros Nivaldo Santiago, Afrânio Lacerda e Roberto Duarte. Estudou flauta no Brasil com Gustavo de Paco de Géa, Beatriz Castro e Antônio Carlos Carrasqueira, e nos Estados Unidos com Wendy Holfe Duhan e Wayne Fritchie.
É licenciado em Música pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Como docente atuou na UFAM (CAUA), Universidade do Estado do Amazonas - UEA e Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro - LAOCS.
Como regente implantou Bandas Musicais no SESI-AM e Colégio Dom Bosco, além de dirigir a Banda Sinfônica do LAOCS.
Como instrumentista, apresentou-se nos EUA, e no Brasil participou das tournées da orquestra Amazonas Filarmônica nos estados do Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. Tocou com os artistas do projeto “Valores da Terra” da Prefeitura de Manaus em Fortaleza – CE. Também excursionou por 67 cidades de 16 estados, interpretando a obra de Villa-Lobos pelo projeto Sonora Brasil do SESC com o Quarteto de Sopros da Amazônia.
Como maestro convidado, regeu a orquestra UEA Sinfônica e as  orquestras de Câmara do Amazonas e Amazonas Filarmônica na programação da Série Guaraná. Desde 2010 é o maestro titular e diretor artístico da orquestra Big Manaus Band e integra a orquestra Amazonas Filarmônica desde a sua criação em 1997.

PROPOSTAS
• Valorizar e incentivar o artista local de todos os segmentos: teatro, música, dança, artes plásticas, escritores, poetas, artesãos, artistas circenses dentre outros.
• Descentralizar os eventos culturais da cidade através da implantação do programa ARTE NOS BAIRROS com apresentações artísticas em todos os bairros.
• Implantar a orquestra Sinfônica, Banda Sinfônica, orquestra de Câmara e Coral Comunitário de Manaus.
• Manutenção da orquestra Big Manaus Band
• Promover os Festivais Folclóricos nos bairros
• Promover e apoiar os eventos de cultura popular erudita e folclórica
• Promover o ensino de artes e música nas escolas municipais em obediência a lei 11.769, que determina a obrigatoriedade da música nas escolas
• Implementar de cursos  de captação de recursos culturais do governo federal voltados para os artistas
• Construção do teatro municipal de Manaus, reivindicação atual e presente da classe artística da cidade. 


3. GUTO RODRIGUES





Trajetória Cultural
Guto Rodrigues é um músico compositor amazonense respeitado, com ascendência que veio de berço já que filho do sambista e romântico Agnelo Rodrigues o “Carapanã”.


Participou Movimento Estudantil tocando em festivais, e no sentido da rebeldia, no Colégio Estadual, com os músicos “Torrinho”, “Toscano” e Paulo Graça no Instituto de Educação.

Do Movimento Estudantil à Superintendência de Cultura  - Nos anos 70, Guto Rodrigues fica em Terceiro Lugar no Festival Estudantil e passa a fazer parte da roda de compositores amazonenses, juntamente com amigos de sua geração como Alcides Neves e Paulo Graça, entre outros companheiros com os quais dividia sua postura na literatura, na musica e na política. Em 75, vive exílio interno por conta da repressão do governo militar, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde organiza movimentos e como músico participa ativamente do movimento tropicalista.

De volta à Manaus cursou Letras na UFAM (antiga UA), foi presidente do Centro Acadêmico de Letras, Diretor de Cultura do DCE e eleito para o conselho universitário nos anos 79 a 81. Conseguiu se organizar dentro da universidade para realizar movimentos importantes como a reativação do Festival Universitário de Música (proibido na época da Ditadura Militar), de onde surgiram quadros novos da musica amazonense como: Candinho e Inês, Cileno, Pereira, Pedrinho Ribeiro, Lucinha Cabral, entre outros. Graças à sua representatividade na cultura Guto Rodrigues foi indicado para a Superintendência Cultural em 1984, na época a Música Popular Amazonense não tinha sequer um registro de disco. Foi quando implantou o projeto “Nossa Música” gravando a música amazonense com qualidade. Nomes da Música Popular Amazonense que até então eram desconhecidos como Eliana Printes, Pereira, Cileno e
Carrapicho chegaram aos ouvidos do povo, propagando e valorizando a música do Amazonas. “Porto de Lenha” de Aldísio Filgueiras e Torrinho estava nos ouvidos de todos, cantada com orgulho pelos amazonenses.
Naquele momento um novo público se formava dentro da musica. Pessoas pagavam ingressos para assistir os artistas amazonenses, filas no Teatro Amazonas formavam-se para assistir os shows dos cantores locais. Foi durante sua gestão como Superintendente de Cultura que o Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI) foi implantado, revelando diversos artistas da Cultura Amazonense até os dias atuais.



4. JOÃO FERNANDES





 João Fernandes, 34 anos, artista, gestor cultural e professor universitário, iniciou sua atuação na área cultural no Estado do Ceará. Há 10 anos reside no Estado do Amazonas e desde sua chegada está diretamente ligado a movimentos culturais, sejam de música, teatro, dança ou de outras linguagens artísticas.
        Gestor Cultural com formação pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade federal do Ceará (UFC), graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), atualmente cursa o Programa de Mestrado em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas.
       Atuou como Professor do Liceo de Artes e Ofícios Claudio Santoro. Atualmente é professor dos cursos de Graduação em Dança e em Teatro da UEA, onde já exerceu a função de Coordenador Pedagógico do Curso de Dança e integrou a equipe da criação do Curso de Teatro. Também faz parte da equipe de implantação do Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual da UEA.
      Nesses anos atuando na área cultural na cidade de Manaus como artista e gestor, esteve presente como militante do movimento cultural manauara. Com seu grupo de teatro Cia de Idéias participou de diversas edições do Festival de teatro da Amazônia (FTA) e do Festival de dança do estado (FAD). Coleciona diversos prêmios a nível local e nacional, entre eles, o Myriam Muniz de Teatro (2008, 2009, 2010 e 2012), o Klauss Vianna de Dança (2011, 2012), o Caixa Cultural (2009, 2010, 2011 e 2012) e, mais recentemente, o Itaú cultural e o Prêmio Rumos de Dança como um dos cinco formadores em dança do País. Em nível local, também foi contemplado com vários prêmios PROARTE e PAIC.
      Atualmente é diretor do grupo teatral Cia de Idéias e da Associação Cultural Casarão de Idéias. Esta última, uma iniciativa própria que mantém desde 2010, possui sede no centro da cidade de Manaus, num casarão antigo restaurado que abriga diversas manifestações artísticas e culturais: apresentações, exposições, acervo bibliográfico, cine clube, projetos de leituras dramáticas, todos abertos à população em geral. A Cia de Idéias e outros artistas utilizam o espaço para encontros, seminários, fóruns, apresentações, entre outras manifestações artísticas.
                Também é diretor geral do MOVA-SE Festival de dança, que desde 2010 movimenta a cidade através da dança contemporânea local e nacional. É diretor da Revista Idéias Editadas, a única do segmento cultural no Estado e uma das poucas do Brasil que dialoga com todas as linguagens artísticas possibilitando assim que a cultura local possa ser registrada e divulgada no Estado e no País.
     Questões Propostas pelo Uakti

      Acredito que antes de qualquer manifestação sobre as ações a frente da Manauscult é de fundamental importância para qualquer pessoa que venha a ocupar a presidência da fundação entender que a cultura é algo dinâmico. É preciso inserir outros olhares sobre o que se produz na cidade de Manaus, pois não podemos mais entender cultura como algo estático.  No mundo contemporâneo, sem perder a essência, a cidade e as pessoas e, por consequência, a cultura sempre estão em mudança.
       Tema 1 - Considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, incluindo Fundo Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura e; Estrutura jurídica da Manauscult.
João Fernandes: Uma política cultural se constrói com participação de todos: classes representativas, artistas independentes, sociedade civil e seus representantes, para que possam juntos mapear a real necessidade cultural de nossa cidade. O Conselho é de fundamental importância nesse processo de gestão participativa, não podendo ser apenas consultivo. Que ele, o Conselho, possa também ser deliberativo agregando ações, e que seus representantes tragam para a Fundação a realidade de suas classes representadas. Desse modo, a entidade terá disponível um bom panorâma para a utilização do Fundo Municipal em ações que possam atender a real necessidade da classe artística e, por conseguinte, que venham de encontro ao que a população espera da gestão publica. O ano de 2013 terá o plano Municipal como referência a essa primeira ideia de mapeamento que se construirá juntos: artistas, representações de classes, sociedade civil e poder público.
    Tema 2 – Prioridades de uma Política Cultural para a Cidade de Manaus.
João Fernandes: Acredito que a cidade de Manaus não recebeu um olhar do que se entende por políticas públicas. Nesse sentido, percebo que a Fundação tem um longo caminho a seguir nesse processo de fomentar, difundir e manter uma política cultural real, e não um agrupamento de ações em determinados períodos do ano, o que não possibilita e nem concretiza uma política cultural. A cidade precisa estabelecer ações que possam garantir a artistas e população contato diário e constante com as mais diversas manifestações culturais em seus bairros, ruas, regiões, escolas, praças. A cidade precisa receber uma grande dose de cultura, ocupar essa enorme cidade e seus mais longínquos lugares, pois ai sim estaremos fazendo uma política cultural para a cidade que seja pensada para garantir fomento, difusão e formação de artistas e sociedade em suas diversas linguagens.
   Tema 3 - Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 [Copa do Mundo], 2015 e 2016?
João Fernandes: Como artista participei da primeira virada e depois decidi não estar mais presente. Percebi que não era algo que me agregasse enquanto artista, sendo apenas uma apresentação por cachê. Acho que uma política cultural não passa só pelo financeiro. E ai percebo uma grande conquista da administração que passou – o orçamento para esse evento é algo que, se repensado, pode vir a agregar muito para toda a população. A virada não pode ser tratada como apenas um evento, pois é isso que acaba desvirtuando o fazer artístico. O fazer artístico e as políticas culturais devem agregar valores, e a virada e a copa possibilitam que a população perceba seus valores, suas características e sua identidade.
    Tema 4 - Formação de recursos humanos para a cultura através do Município.
João Fernandes: Hoje, estando na Universidade, percebo a sede de conhecimento que nossos jovens possuem. Como gestor cultural, percebo a grande lacuna de profissionais para diversas áreas culturais em nossa cidade. Manaus hoje recebe diversos eventos em várias linguagens artísticas, vários prêmios culturais a nível nacional, uma economia que muitos não percebem mais que é real. Nesse sentido, percebo que nem toda a população, seja ela artística ou civil, mobilizou-se para perceber esse mercado que a cidade possui, que foi iniciado pelo Governo do Estado através dos seus festivais, e que hoje também dialoga com os realizados pelo Poder Municipal. Como já citei em questões anteriores, a formação é cada vez mais necessária para que recursos não voltem por conta de não termos projetos habilitados para receber prêmios, para que produções possam contratar aqui na cidade sua mão de obra, para que esse olhar que todo o planeta lança sobre a Amazônia possa render frutos a nossa cidade e seus agentes culturais e que a cidade possa manter, assim, o processo de sustentabilidade tendo a cultura também como um desses pilares para uma cidade melhor.
Tema 5 - Municipalização dos espaços culturais [o Estado detém a grande maioria da infraestrutura]
João Fernandes: Sempre, nas reuniões, percebo os artistas clamando por outros espaços para suas ações culturais, inclusive pela construção de um teatro municipal. Vejo que é saudável tudo isso. E que bom que temos hoje uma demanda maior do que os espaços disponíveis. Nesse sentido, percebo que é uma grande fragilidade do município a ausência de equipamentos sobre sua gerência. Se pegarmos hoje qualquer grande capital do País, teremos diversos exemplos de sucesso em ocupação de espaços públicos que atendam a população e sua classe artística. No mês de setembro desse ano, realizamos uma ação chamada LUGARES QUE O DIA NÃO ME DEIXA VER. Ocupamos quatro lugares com manifestações artísticas e um banho de luz para que a população percebesse aquele lugar e suas potencialidades. Fizemos um mapeamento de diversos espaços que podem vir a ser equipados e utilizados para a realização de atividades contínuas e que contemplem as diversas linguagens. A população é merecedora dessas ações, e nós como artistas temos que perceber que a cultura é que nos possibilitará grandes mudanças educacionais e sociais.
Tema 6 - Casa de Apoio ao artista
João Fernandes: É um tema que acompanho, o trabalho do grupo Vitória Regia. Penso que merece respeito e atenção e que, dentro das políticas do governo municipal, pode vir a agregar outros valores importantes aos artistas que durante muito tempo dedicaram sua vida à população.
Tema 7 - Editais  e concursos da Manauscult.
João Fernandes: Acho de extrema importância a realização de editais e concursos pensados como políticas públicas e não apenas como satisfação à população. Quando falo política pública, refiro-me a datas de pagamento; calendário de lançamentos que atendam à classe artística, que tenham uma contrapartida para a população e poder público, que dialoguem com todos os segmentos. Ai, sim, vejo a eficiência de um edital e de um concurso público. Percebo que, independente de quem esteja como gestor, é possível dar continuidade às ações, manter o diálogo com a população e a classe artística para, assim, solidificar o mapeamento de ações e de pontos que  necessitam de atenção.
Tema 8 - Ou temas que considere relevantes.
João Fernandes: O Patrimônio material e imaterial de nossa cidade também é algo que está agonizando a espera de um olhar diferenciado. A revitalização e a entrega desse patrimônio à população é algo que deve ser imediato. Penso que uma política pública não dialoga apenas com o segmento artístico –a prefeitura necessita de uma ação integrada com suas diversas secretarias. Que todos possam saber as ações que estão acontecendo e seus planejamentos, pois não consigo separar educação, saúde, limpeza pública e saneamento de cultura. Quando falo todos, quero abarcar desde o cargo mais simples até o mais superior (já que possuímos ainda essas divisões), pois assim acredito que será um governo que realmente tem orgulho do que faz. Que isso reflita na população que também possa acompanhar as ações, participar, ter voz e vez nesse processo de implantação de uma cultura feita por todos e para todos. 


5. MARCELL MOTA






Marcell Allyson de Souza Mota, músico, compositor, 31 anos. Diretor Social do Sindicato dos Músicos do Estado do Amazonas (SINDMAM). Atualmente trabalha no Jornal Extra. Estudou música desde o início da adolescência com o conceituado maestro Jêremias Dutra conhecido como (Jêre), em Manaus.
Iniciei minha carreira musical no ano de 1999, como cavaquinista da escola de samba Vitória Régia e A Grande Família, onde fiz várias apresentações. Participei como integrante de diversos grupos de Samba, Choro e Pagode em Manaus.
Buscando adquirir mais experiência e o aprimoramento musical, cheguei a estudar música no Rio de Janeiro com os mestres renomados dentre eles Luciana Rabello, Yamandú Costa, Henrique Cases e Bia Paes Leme.
Hoje, sou cantor gospel e pregador da palavra de Deus.

Formação Escolar
- Superior Incompleto (7º Período - Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo no Centro Universitário do Norte – Uninorte Laureate Internacional)
Experiência Profissional

- Repórter do Jornal Extra – Período 2006-2007
- Assessor de Imprensa do Vereador Jorge Luiz na Câmara Municipal de Manaus (CMM) – Ano 2008
- Repórter Fotográfico no Jornal Em Tempo - Período 2008 -2010.
 - Assessor de Imprensa do Vereador Homero de Miranda Leão na Câmara Municipal de Manaus (CMM) – Ano 2009
Assessor de Imprensa da Manaus Cult - Fundação Municipal de Cultura e Turismo – Período 2009-2011
- Sub - editor do Jornal Extra – Período 2011 – 2012
Cursos Extracurriculares

- Fundação Rede Amazônica (Técnicas de Entrevistas para Radio e Televisão)
- 1º Intercom Norte (V Simpósio de Ciências da Comunicação na Região Norte)
- 9° Semana de Comunicação (Comunicação e Democratização da Informação)
- 3º Encontro Regional de Jornalismo e Imagem
- Curso de Fotografia Básica
- Locução e apresentação
- Cinema e psicanálise
- Cinema digital na Amazônia
- Rádio e o aspecto comercial
- A propaganda na preservação do patrimônio histórico
- Cineclubismo em Manaus
- A interferência da Oralidade na escrita
- Elementos da estética
- Aspectos sociais da comunicação entre os Saterê Maué
- Aspectos da Educação e Ética em Platão


QUESTÕES PROPOSTAS PELO UAKTI

Tema 1 - Considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, incluindo Fundo Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura e; Estrutura jurídica da Manauscult.
Precisamos descentralizar aqui estes assuntos, que são extremamente importantes e delicados, para sermos mais claros aos leitores.
a) A política cultural serve para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos através de atividades culturais, artísticas, sociais e recreativas. Deve ter um objetivo amplo pelo fato de ser uma ação voltada para todo o município e não apenas para alguns estratos sociais.
Em minhas considerações devemos oferecer atividades artistas culturais não apenas valorizando aos artistas já consagrados, mas também proporcionar aos novos talentos uma oportunidade para expor o seu trabalho. Devemos não só atingir uma "elite cultural”, mas dar oportunidade a todos os segmentos e manifestações artísticas. Assim o mercado de consumo de bens e serviços culturais: os teatros, salas de exposições, bibliotecas e auditórios se desenvolvem e os grupos que produzem cultura encontram apoio.
b) O Fundo Municipal de Cultura terá que ser um mecanismo de política pública que proporcionará a concessão de incentivos financeiros a pessoas físicas ou jurídicas, para a realização de projetos culturais. Deverá ser utilizado, e especialmente formado, para financiar as produções artísticas e culturais da cidade, servindo, fundamentalmente, para incentivar a produção de arte e cultura.
c) O Plano Municipal de Cultura será uma ferramenta, constituída com a mais ampla participação popular, de forma transparente e democrática.  É importante também ressaltar que a sua constituição como Lei Municipal vai garantir e habilitar o município de Manaus a estar inserido no Sistema Nacional de Cultura, que vem sendo construído em todo o Brasil e é matéria em debate no Congresso Nacional.
Tenho como base facilitar o acesso amplo e irrestrito à cultura como direito de todo cidadão; Melhorar continuamente a comunicação, ampliando-a por meio da criação de espaços de divulgação; Criar espaços de reflexão que reavaliem as propostas existentes com o objetivo de reforçar a conquista de uma cultura cidadã. Promover o debate e organizar o presente material. O Plano Municipal de Cultura poderá também ir à apreciação do Legislativo Municipal para que se transforme em Lei e assegure os direitos da classe artística em geral.
d) O Conselho Municipal de Cultura terá por objetivo promover a participação democrática dos vários segmentos da sociedade que integram a ação cultural no município, visando garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, além de apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais.
e) A Estrutura jurídica da Manauscult deve seguir a estrutura de uma fundação pública, baseada em seus princípios de moralidade, legalidade, publicidade e impessoalidade, Seus atos de gestão devem ser públicos e transparentes para que toda sociedade de modo geral visualize o funcionamento da Manauscult.

Tema 2 – Prioridades de uma Política Cultural para a Cidade de Manaus.
Os artistas locais em todos os segmentos precisam divulgar e difundir os seus trabalhos através de intercâmbios com outros municípios, estados e até mesmo países. Faremos a absorção direta de projetos culturais pela Manauscult, através de convocação em edital Cultural e outros meios de financiamento de projetos para cidade contando sempre com a transparência e democratização das ações culturais, dos investimentos e gastos nos segmentos culturais na Cidade de Manaus.
 Tema 3 - Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 [Copa do Mundo], 2015 e 2016?
Queremos a melhor valorização dos artistas locais, criando um grande evento gratuito que atraia um público circulante de milhões de pessoas durante 24 horas de programação cultural. Temos que buscar parceiros como o SESC, a SEC, a iniciativa privada além dos inúmeros estabelecimentos e centros difusores de cultura que aderem ao programa.

Ao invés de espalhar a programação para diversos pontos da cidade, o que deixa alguns vazios e outros superlotados, o ideal seria centralizar em um determinado local como exemplo o centro da cidade. Com os serviços de transporte público, operando 24h, o fluxo de carros seria suspenso nestes locais, e as ruas seriam retomadas pelas pessoas que caminham entre as atrações e palcos, revivendo uma lógica de caminhada pedestre. Os programas se espalhariam pelos principais museus, praças, teatros e centros culturais.

Tema 4 - Formação de recursos humanos para a cultura através do Município.
O município deverá buscar capacitar e qualificar os artistas locais através de cursos, seminários, workshops, além de aperfeiçoamento em várias áreas.
Tema 5 - Municipalização dos espaços culturais [o Estado detém a grande maioria da infraestrutura.
Sim, o Estado possui a grande maioria da Infra-estrutura daí a importância de buscarmos sua parceria e andarmos de mãos dadas, mais nada impede que o município busque construir e criar novos espaços culturais como um Teatro Municipal, entre outros.
Tema 6 - Casa de Apoio ao artista.
Sou totalmente a favor de tudo que beneficia a cultura e os artistas. No meu ponto de vista a “Casa de Apoio aos Artistas” terá que ser sem fins lucrativos, sendo um retiro destinado aos artistas necessitados, impossibilitados pela idade ou por motivo grave de prover o próprio sustento, dando-lhes abrigo, alimentação e condições dignas de sobrevivência.
Tema 7 - Editais e concursos da Manauscult.
Editais e concursos são alguns meios de investirmos nos artistas locais por meio deles podemos conhecer novos trabalhos e valorizar os já existentes. Criando oportunidades a todos de maneira democrática.

Tema 8 - Outros temas que considere relevantes.
- A criação “Conservatório Municipal de Cultura”. Este projeto capacitará gratuitamente os nossos artistas de diversos gêneros, como o teatro, a dança, o canto, a música, circo, pintura, cinema, artesanato e todas as demais manifestações, tão importantes quanto estas, além de trabalhar a formação de novos talentos, um passo para a tão sonhada e desejada Universidade.



6. ORLANDO CÂMARA





CURRICULUM
Orlando Câmara é formado em Direito e Comunicação Social pela UFAM. Especialista em Gestão pela Universidade de Haifa (Israel), Projetos, pela Universidade de Rikkyo (Tóquio, Japão) e em Comunicação de Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (São Paulo), ocupou, na área pública, diversos cargos nos executivos municipal e estadual.
Foi Diretor de Turismo da extinta Empresa Amazonense de Turismo (EMAMTUR), de 1995 a 1997; Subsecretário de Estado do Trabalho, de 1997 a 1999; Diretor-Presidente da Fundação Municipal de Turismo (Manaustur), de 1999 a 2003; Secretário Municipal de Projetos Especiais, em 2004. Assessor Técnico na Manaustur, de abril de 2010 a junho de 2012.
No Legislativo, foi Diretor Adjunto de Comunicação Social da Assembléia Legislativa do Amazonas, em 2008. Na área privada, foi Diretor de Atendimento da Jobast Comunicação Integrada, de 2004 a 2010.
Focado nas áreas de Turismo, Cultura e Comunicação, participou de importantes projetos, como a reinauguração do Teatro Amazonas (1990), o reposicionamento do Festival Folclórico de Parintins, que organizou de 1995 a 1997, pelo Governo do Estado, e em 1999, pela Ativa Eventos. Organizou também o Carnaval Amazonense, de 1995 a 1998; o Boi Manaus, de 1999 a 2003, evento para o qual prestou assessoria nos anos de 2009 a 2011; e o Reveillon de Manaus, de 1999 a 2003, entre outros.
Foi consultor do Ministério do Meio Ambiente (Secretaria da Amazônia Legal), na área de Turismo, e do Ministério do Trabalho, nas áreas de Qualificação Profissional e Ações de Emprego. Foi também vice-presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Amazonas (SINAPRO/AM).
Atualmente é Coordenador da TV Assembléia; realiza dois programas semanas na Rádio Difusora do Amazonas (Sabadão, todo sábado, de 10h às 13h e Programa Trivial, também aos sábados, de 21h às 23h), além de participar das transmissões de eventos e; colabora com o jornal “A Crítica”, com o caderno Bem Viver, e com o Portal A Crítica, onde mantém um blog.

O QUE PENSA SOBRE: 

UAKTI - Suas considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, incluindo Fundo Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura e; Estrutura jurídica da Manauscult?

OC - O Plano Municipal de Cultura, assim como o Conselho Municipal e o Fundo, faz do Sistema Nacional de Cultura, que tem como objetivo planejar e a implantar políticas públicas de médio e longo prazo para o segmento. Atualmente a União disponibiliza, inclusive, assistência técnica aos municípios, capacitando-os para executarem seus planos alinhados as diretrizes do Plano Nacional. O Plano Municipal funciona como um pacto entre governantes, artistas, produtores culturais e sociedade civil.
Há uma ação em andamento para a elaboração do Plano de Manaus, o funcionamento do Conselho Municipal e a criação e efetiva existência do Fundo. Não detenho maiores informações a respeito desse assunto, mas tenho algumas considerações a fazer:
1.            Não resta dúvida que é necessário adotar o Plano Municipal de Cultura como o norte para a gestão da instituição municipal de Cultura;
2.            O Conselho é, sem dúvida o instrumento para democratizar as decisões e ele precisa ser representativo;
3.            O Fundo também proporciona a captação de recursos de outras instituições, que não somente o Executivo Municipal, inclusive recursos federais. Creio que é importantíssimo cria-lo com um fato gerador na origem. Por exemplo, uma lei municipal que destine um percentual do ISS arrecadado, ou de outra fonte, para dar lastro ao fundo e permitir certa independência nas ações do Órgão Municipal de Cultura.
Quanto à estrutura jurídica da Manauscult, a única coisa que posso dizer é que me agrada que ela seja exclusivamente para a Cultura, e que seja fundacional. As estruturas da Administração Direta, as Secretarias, são mais engessadas. Creio que essas duas características precisam ser mantidas.

UAKTI – E suas considerações sobre uma Política Cultural para o Município de Manaus, quais seriam as principais ações, as prioridades?

OC – Numa política pública de Cultura para Manaus, Produção, Promoção, Difusão e Intercâmbio são eixos fundamentais, que devem ser trabalhados ao longo dos quatro anos.
Como uma ação imediata, creio que os editais que permitam uma política pública e transparente de suporte aos artistas para a edição de livros (em papel ou web livros), de CDs, de DVDs, catálogos e de outras obras e eventos é fundamental. Sinto falta de nossos artistas tendo acesso à promoção e difusão de seus trabalhos. Creio que esse seja o principal desafio do Poder Público Municipal. E não basta fazer o edital e depois entregar o prêmio. É preciso desenvolver um programa de divulgação/ promoção dessas obras, tanto em Manaus, como em outras cidades.
Revelar novos talentos se faz necessário. Temos muita gente boa trabalhando, mas que nunca teve uma chance. Precisamos, como Poder Público, oportunizar uma chance ao trabalho dessas pessoas, sem preferências ou preconceitos estéticos e conceituais. Por isso mesmo, as curadorias de seleção dos trabalhos precisam ser o mais isentas possíveis, quem sabe vindas de outros estados, até para iniciar um processo de difusão para além dos limites de nossa capital. Mas isso é um assunto a ser passado pelo Conselho Municipal de Cultura.

UAKTI - Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 [Copa do Mundo], 2015 e 2016?

OC – Creio que os eventos devem ser consequências e não causas em uma política pública para a área da Cultura. Vejo uma preocupação muito grande em realizar eventos, que normalmente custam caro. Mas e o conteúdo? A que eles servem?
No que diz respeito à Virada Cultural, gosto da proposta, acredito que ela deva ser continuada, mas com um novo formato. Tive a oportunidade de estar com o Zé Mauro, o criador da Virada Cultural Paulista, e ele trabalha a virada paulistana a partir de dois conceitos: o da afetividade – em locais importantes para a cidade, e; o da mobilidade – onde seja fácil chegar e se deslocar de um palco a outro. Por isso, em São Paulo, a virada acontece no centro e você pode se deslocar a pé de um palco a outro.
A Virada em Manaus é ambiciosa demais, quer fazer uma infinidade de palcos em pontos absolutamente dispersos, dando excessivamente valor às atrações nacionais. E também essa proposta de colocar só forró ou brega na Zona Leste é preconceituosa. Eu proporia a concentração de todos os palcos da Virada Manauara no Centro da Cidade: é fácil chegar e sair de ônibus, sem a necessidade de troca de veículo; valorizaria o centro, num momento em que ele está precisando ser enxergado como importante para a vida da cidade; além de permitir um melhor desempenho em termos de economia e de organização.
Também precisamos dar mais valor às atrações locais. Não digo que não devam ser trazidas atrações nacionais populares. Afinal, elas são uma forma de intercâmbio, além de funcionar como âncora, para que nossos artistas possam apresentar seu trabalho autoral para grandes públicos. Mas é preciso dar melhores horários e condições de apresentação, além do cachê, é lógico, aos nossos artistas. Vale lembrar que os selecionados nos editais precisam estar presentes na Virada. E proporcionar palco/ espaço às diferentes expressões artístico-culturais.

UAKTI – E a formação de recursos humanos para a cultura através do Município?

OC – Creio que seja fundamental. O Ministério da Cultura disponibilizou recursos aos municípios para isso em 2012. Para formação e qualificação de profissionais dos diferentes fazeres artísticos e técnicos – cenotécnicos, figurinistas, maquiadores, etc. Esta é uma proposta que, sem sombra de dúvida, está na jurisdição da Manauscult. Além de qualificar a atividade cultural, proporciona novos horizontes de trabalho e renda.
Dos trabalhos realizados pela SEC, me chama a atenção o Centro Cultural Cláudio Santoro. O município também o pode fazer, talvez numa perspectiva mais abrangente em termos de faixa etária.

UAKTI – E a municipalização dos espaços culturais [o Estado detém a grande maioria da infraestrutura]?

OC – O Executivo Estadual detém a maioria dos espaços culturais da cidade porque só ele investiu nisso. Simples assim. Mas a cidade é grande, é diversa e é de todos. É possível realizar um programa de animação cultural em diferentes pontos da cidade, levando a arte ao povo, sem necessariamente precisar de uma infraestrutura física construtiva. Por exemplo: por que não levar, com uma estrutura adequada e eficaz, grupos teatrais, de dança e musicais às praças da cidade, no momento de maior movimento? Já imaginou um palco na Matriz, no sábado pela manhã? Ou um palco próximo à quadra da Grande Família?
Num curto prazo, creio que isso é o que pode ser feito. Afinal, obras demandam de tempo, tanto para projetos de construção ou de reforma, como para a execução. Mas já está na hora da cidade ter um teatro como uma capacidade de carga muito acima dos 600 lugares permitidos no Teatro Amazonas, e com um conceito moderno, que permita, desde shows de rock a récitas líricas, a diferentes platéias. Estamos devendo isso à cidade. Também creio que podemos estabelecer núcleos produtivos pela cidade, como oficinas de estamparia, de artesanato, etc.

UAKTI – Você pensa numa Casa de Apoio ao artista?

OC – Nunca pensei, mas gosto da idéia, principalmente quando vemos a realidade de muitos artistas e produtores culturais quando chegam à terceira idade. Sem aposentadoria, sem suporte familiar, eles ficam à mercê da caridade alheia, o que é péssimo. Penso que podemos fazer um trabalho junto ao INSS, que detém essa prerrogativa em termos nacionais. Não saberia dizer agora um formato para isso, mas reconheço a importância e a necessidade.

UAKIT – E os Editais de Patrocínio?

OC – Acho que já falamos sobre isso, não?

UAKTI – Há outros temas que considere relevantes?

OC – Creio que seja importante despir o responsável pela pasta de Cultura do município de qualquer personalismo na gestão do órgão. Essa história de “o secretário quer”, “secretário não quer”, é muito complicada. Precisamos reforçar os critérios de acesso e seleção para que todos os que se qualificarem tenham acesso, independente do titular da pasta querer ou não. Não é porque eu gosto da pessoa ou do trabalho dela que ela será beneficiada. Minhas preferências artísticas ou de amizade e convivência devem ficar na esfera da minha vida pessoal.





A partir de amanhã, segunda-feira, 08h00, vc poderá indicar até 3 (três) nomes da lista acima no projeto.uakti@gmail.com. Esse segundo turno vai até meia noite do dia 12/12/2012. Os três mais citados participarão de um debate promovido pelo Projeto Uakti e terão seus nomes submetidos à consideração do Ilmo. Sr. Prefeito eleito Arthur Virgílio Neto.  Ao longo da semana estaremos publicando mais informações sobre os nomes acima, bem como suas propostas para a política cultural da cidade de Manaus. Participe!







Outros nomes citados (02) - Dóri Carvalho e Sousa (Palco Brasil) - (01) - Ana Cláudia Motta, Aldísio Filgueiras, Álvaro Monteiro, Antonio Pereira, Arcângelo Brasil, Arlindo Jr., Bárbara Soares, Ediel Castro, Francisco Cardoso, Jefferson Rebello, Jorge Bandeira do Amaral, Kid Mahall, Lívia Mendes, Nivaldo Mota, Pedro Cesar Ribeiro, Roberto Roger, Tenório Telles, Tito Lindoso, Walter Rezende e Zeca Torres.


Projeto Uakti faz consulta à comunidade artística e cultural sobre nomes para a Presidência da Manauscult.
O Prefeito Eleito de Manaus, Arthur Vírgilio Neto, tem estimulado os interessados em participar de sua equipe de governo, a enviarem currículum para seu e-mail. Sendo assim, o Projeto Cultural Uakti toma a iniciativa de consultar a comunidade artística (artistas, produtores, técnicos) sobre nomes que, com o respaldo da comunidade, possam se candidatar ao cargo de Presidente da Manauscult.  Utilizando nossa (ASPI/INPA) experiência em selecionar diretores do INPA de forma democrática (nosso sistema é utilizado hoje no Brasil inteiro para a escolha de diretores dos institutos de pesquisa) resolvemos então fazer essa consulta em dois turnos.
No primeiro turno, qualquer interessado pode enviar através de e-mail (apenas um voto por e-mail) ao Projeto Uakti (projeto.uakti@gmail.com) uma lista com até 3 (três) nomes de sua livre escolha. Os 10 (dez) mais citados nesse primeiro turno, comporão uma lista que será novamente submetida à comunidade e dela sairá uma lista tríplice a ser encaminhada ao futuro prefeito.
Lembrem-se que no segundo turno vc só poderá votar nos nomes da lista. Aceitaremos apenas um voto por e-mail. Não vale e-mails institucionais (apenas pessoas físicas). O Projeto Uakti preservará a identidade dos votantes, fará as apurações em sessão aberta e buscará o currículum dos 10 mais votados para que a comunidade faça seu voto consciente no segundo turno.
Vamos lá! Envie seus nomes para candidatos à presidente da Manauscult (até o máximo de 3)  para o e-mail do projeto (projeto.uakti@gmail.com) até o próximo dia 30/11/2012 (primeiro turno). Coloque no título da mensagem: Consulta Manauscult. Os dez mais citados comporão uma lista e aí novamente vc poderá indicar 3 nomes mas apenas dos 10 componentes dessa lista até o dia 12/12/2012.
Ao longo do processo, o blog do uakti e o facebook do Uakti publicarão os resultados parciais.


NOTÍCIAS SOBRE A CONSULTA PARA PRESIDENTE DA MANAUSCULT PROMOVIDA PELO PROJETO UAKTI

O Projeto Uakti – criado em 1989 e coordenado pelas Associações dos Pesquisadores e Servidores do INPA (ASPI e Assinpa) - tomou a iniciativa de realizar uma consulta pública a respeito de nomes (e seus projetos) para a direção da principal entidade municipal de cultura: a Manauscult.
Fez isso por duas razões:
Primeiro, encorajado pelo passado democrático do novo prefeito, Arthur Virgílio Neto, que enquanto Ministro Chefe da Casa Civil, nomeou um adversário político (Dr. Marcus Barros) para a direção do INPA no Governo FHC, respeitando assim um processo democrático estabelecido pioneiramente no INPA e que hoje é utilizado em todo o Brasil para indicação de diretores de institutos de pesquisas.  (É verdade que tal processo foi desconsiderado pelo seu sucessor, José Dirceu, mas restabelecido por sua sucessora, a hoje Presidenta Dilma Roussef). 
Agregue-se a isso, o fato do futuro prefeito vir pedindo (antes, durante e depois da eleição) que os interessados em participar de sua administração enviem currículuns para seu e-mail, pois quer privilegiar a competência técnica e administrativa dos candidatos.
A segunda razão do Projeto Uakti para fazer tal consulta, vem de seus serviços prestados a Manaus. Há mais de um ano e meio a cidade dispõe de um endereço na internet (www.blogdouakti.com.br) onde qualquer cidadão pode saber tudo o que acontece na cidade nas áreas da música, teatro, dança, literatura, cinema, artes plásticas, debates, cursos, editais, festivais... Manaus é uma das poucas cidades do Brasil a ter esse privilégio. A própria Câmara Municipal reconheceu o esforço do Uakti e aprovou uma Moção de Apoio ao Projeto por iniciativa do Vereador Hissa Abrão. O Uakti nunca recebeu nenhum centavo do poder público para isso, apesar de ter concorrido em vários editais públicos da Manauscult e SEC.
Assim, a presente consulta pública se dá em duas etapas. Na primeira os interessados podem (a consulta agora vai até o dia 30/11) indicar até 3 nomes de sua preferência. Os 10 (dez) mais citados nessa primeira etapa, irão (caso concordem) participar de uma segunda seleção onde irão expor suas razões, programas e currículuns. Até o momento foram mencionados 30 nomes de alta respeitabilidade. Os três mais citados na segunda etapa da consulta serão convidados a participarem de um debate promovido pelo Projeto Uakti e terão seus nomes submetidos ao novo Prefeito ou a uma comissão indicada por este.
A Priori, os temas propostos aos potenciais candidatos são os seguintes: Fundo Municipal de Cultura; Conselho Municipal de Cultura; Plano Municipal de Cultura; Estrutura jurídica da Manauscult (fundação x secretaria); Que Virada Cultural nós queremos em 2013, 2014 (Copa do Mundo), 2015 e 2016?; Formação de recursos humanos para a cultura através do Município; Municipalização dos espaços culturais (o Estado detém 95% da infraestrutura); Casa de apoio ao artista; Editais de Patrocínio – Apesar de super importantes, os 3 últimos realizados pela Manauscult  foram uma atrapalhação só, provavelmente com devolução do já mísero dinheiro da cultura; Outros temas podem ser propostos.  






4 comentários:

  1. Todos são competentes para o cargo, mais o meu voto vai pro Marcell Mota

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  2. A cultura Amazonense está entregue as baratas, entra governo, sai governo, são as mesmas carinhas, é hora de renovar, MARCELL MOTA é sem duvida um bom nome para administrar a Manauscult. Esperamos que o Prefeito seja imparcial e pense na classe.

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  3. Marcell Motta para acabar com as panelinhas pra mudar todos quer estão ai ja estiveram a frente da cultura amzonense e manauara e só administraram, precisamos de alguem que faça a diferença e não panelinhas como estão quertendo fazer uma parte dos artidstas querendo colocar o Senhor Olando Camara, tenho plena confiança no Artur ele não vai permitir isso, ele foi escolhido pelo povo da cidade pelo voto e espero que ele aceite e seja imparcial neste pleito também, que prevaleça a vontade da maioria

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  4. SOU Musico, faço percurssão na area de samba e chorinho, Meu voto vai pro Marcell Mota, eu acho que é um cidadão bem preparado na area de cultura.

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